segunda-feira, 19 de outubro de 2009

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Exercício 2

Apresentar uma narrativa constituída por fotografias que tenham como base e inspiração o trabalho do fotógrafo escolhido.

Uta Barth







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Photographer: Uta Barth

Title: Untitled (98.2)

Descrição breve da obra:

A obra coloca lado a lado duas imagens direcionadas ao mesmo objeto, um rio e suas margens, sugeridos através de nuances de cor e luz, por estarem fora do campo focal. Uma das imagens introduz um novo elemento à composição, este sim perfeitamente focado, e cuja cor – um vermelho forte e puro - contrasta com as de todo o resto.

Porque escolhemos esta fotografia:

Interessou-nos a forma inusitada de interpretar o objeto fotografado. A artista explora de forma pouco convencional técnicas da fotografia, como a profundidade de campo, o enquadramento e a composição, de forma a transcender subjetivamente a representação do próprio sujeito. Mais do que um registro, a obra - resultante da associação de diferentes imagens – é ao mesmo tempo carregada de sensibilidade e de um forte caráter gráfico.

Porque o fotógrafo fez esta fotografia; o que está tentando dizer e o que a fotografia sugere acerca dos objetos fotografados:

Acreditamos que a intenção da fotógrafa seja a de, através da exploração das possibilidades que a fotografia oferece, transcender o próprio objeto fotografado. A associação de diferentes imagens, cores, texturas e planos focais cria um objeto mais sensorial do que descritivo.

Como a luz afeta a fotografia? É direta ou difusa? De onde vem?

Através de uma super-exposição controlada, a luz difusa preenche toda a imagem. Associada à falta de foco, penetra nas suas formas, diluindo os limites e conferindo um aspecto aquarelado. Além disso, reforça o contraste entre os planos, por conferir ao plano do fundo tons mais suaves em oposição à força do vermelho.

O que a profundidade de campo na fotografia diz a respeito da escolha da fotógrafa com relação à abertura do diafragma? Você acha que um tempo de abertura rápido ou lento foi escolhido de propósito, para criar movimento ou atmosfera? Se sim, como?

Nesta obra, o uso do diafragma é fundamental para obter o resultado desejado, já que é o que possibilita a criação de uma imagem em dois planos com forte distinção focal. Para isso, a artista utilizou uma grande abertura de diafragma, focando no elemento que estava em primeiro plano. Foi escolhido um tempo de abertura mais lento, com o propósito de criar uma atmosfera nebulosa, em que os contornos não são definidos e as cores se interpenetram.

Quanto contraste pode ser percebido na fotografia?

Esta é claramente uma imagem com pouco contraste, ou seja, composta por tons suaves e meios-tons . À exceção do elemento vermelho em primeiro plano, com tons vivos e fortes, as cores interpenetram-se, não havendo definição clara das formas.

O que diz a cor a respeito do da hora do dia em que foi tirada a fotografia e qual o efeito da saturação da cor para a imagem.

As cores da fotografia sugerem um tempo nublado, pela grande ocorrência de tons brancos, o que dificulta a percepção da hora do dia em que foi tirada a fotografia. Sobre a saturação da cor, uma observação isolada da imagem da esquerda poderia levar a pensar que há baixa saturação, por serem os tons suaves e com aspecto translúcido. Porém, a faixa vermelha na imagem da direita ajuda a perceber que há uma forte saturação de cor, e que o efeito forjado no plano ao fundo se deve ao uso que foi dado ao diafragma e obturador.

Em relação a composição

As fotografias, tiradas de um ângulo frontal, apresentam dois sujeitos colocados em planos completamente diferentes. No fundo, sóbrio e com pouca definição, está o rio e suas margens que se repete nas duas imagens. Presente em apenas uma delas, no canto direito, em close, vemos o segundo sujeito, um elemento vertical vermelho. Esta composição formada pelas duas fotografias faz com que as tensões se concentrem neste elemento tornando a imagem resultante assimétrica. Além da sua localização, a força e vivacidade do vermelho rompem com a horizontalidade e sobriedade da imagem. Além disso, sua verticalidade e sua forma tornam a obra extremamente geométrica e gráfica.

De que maneira a escolha do local e da maneira de posicionar os objetos no enquadramento afetam o impacto da imagem?

No caso desta obra, tanto o local quanto a maneira de posicionar os objetos no enquadramento definem completamente a imagem e o impacto que ela gera. Pois se a imagem fosse realizada de outro ângulo ou de outra maneira, todo o caráter geométrico, gráfico e as tensões, que tornam a imagem tão rica, iriam desaparecer.

1 comentário:

  1. Boa tarde a todos do grupo 3+2,
    Gosto muito do vosso trabalho e penso que a forma como responderam ao texto revela que tiveram uma boa compreensão do trabalho de Uta Barth em termos técnicos e conceptuais.
    A narrativa visual que criaram apresenta diversos tipos de composição onde a diferenciação de planos é manipulada para criar diversos tipos de reflexão, percepção do espaço e seus objectos, utilizando em termos técnicos principalmente a profundidade de campo. Deviam colocar na ficha técnica no site do Espaço F FAUP onde devem a partir de agora desenvolver estes exercícios os parâmetros utilizados, como, por exemplo, abertura de diafragma, velocidade obturados, isso…etc.
    O vosso trabalho revela assim uma exploração sensível da representação do espaço fazendo eco da técnica e subjectividade de Barth (soft focus, profundidade de campo, planos….)
    Muito bem.

    Até breve

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